quarta-feira, setembro 19, 2007

CAMÕES TRABALHOU UNIVERSO E ASTROS NA SUA POESIA


A tentativa de busca da data natalícia de Luiz de Camões parece vir do próprio século em que o poeta viveu. No princípio do séc.XVII, predominava a doutrina de que o seu nascimento fora em 1517, versão que Manuel de Faria e Sousa, e o seu grande biógrafo, a princípio adoptou, vindo depois a doptar a de 1524 ou 1525, baseado em certo documento que se encontrou no arquivo da Casa da Índia que o governo de Madrid, quando do domínio dos Filipes, transferiu de Lisboa para aquela cidade. Faria de Sousa viveu, nessa época, em Madrid e aí manuseou o dito arquivo. Achou uma relação, feita por um particular, das pessoas mais notáveis que foram servir à Índia, na carreira de armas, e desde que foi estabelecido o domínio português naquelas paragens. A relação fora escrita no séc.XVI e encontra-se hoje na Biblioteca Nacional de Lisboa, faltando-lhe, todavia, aquelas páginas em que estaria inscrito o nome de Camões. Aí dizia, segundo Faria de Sousa, que o poeta se inscrevera para embarcar em 1550 contando, ao tempo, 25 anos de idade, sendo mancebo, e ficando por fiador do seu pai, Simão Vaz. Era seu nome Luiz Vaz de Camões. Apesar deste achado, a hipótese do nascimento do poeta em 1517 não caducara, e alternara com a de 1524 ou 1525, até o século XIX, em que com justa razão, ams com uma certa reserva, assentaram que nascera em 1524. O mês e o dia não preocuparam ninguém até às locubrações de Teófilo Braga. Foi este homem que tentou pela primeira solução nesse sentido, e se não acertou em absoluto, andou-lhe notávelmente perto. Inferiu o nascimento de Camões para 4 ou 5 de fevereiro de 1524. Cometera um erro de 11 ou 12 dias apenas. Teófilo poucos dados possuía para chegar à conclusão a que chegou, fazendo apenas um plano astral. Por seu lado Camões, trabalhou bastante o universo dos astros, através da sua poesia. O exemplo oferecido por Gil Vicente, das alusões horoscópicas em verso, teve eco na sensibilidade de Camões, que não apenas traçou o quadro da distribuição planetária e respectivas intenções astrológicas do dia em que nasceu, como outro tanto deixou acerca da mulher que amou, e do dia em que principiaram os seus grandes amores. Gil Vicente havia feito referências astrológicas a várias pessoas reais da corte de D. Manuel, o Venturoso, e que passaram através dos seus autos. O modelo de Gil Vicente astrólogo, reflectido em Camões, deu os melhores frutos. Recordou este, com suavidade superior, as posições planetárias no horóscopo daquela mulher que muito amou, e que tinha o Sol por estrela de nascimento. Camões fez incidir a sua descrição sobre as posições dos planetas dos signos: e sempre de um modo mais poético e velado que Gil Vicente.A canção "Nem Roxa Flor De Abril", é uma canção de horóscopo, relativa ao nascimento da sua mágica Medeia, a amada Circe. Esta mulher é, ela mesma, a roxa flor de abril, por ser este o mês do seu nascimento, e por ser rósea a cor da sua tez.


in ««Memórias Astrológicas de Luis de Camões»»

terça-feira, setembro 18, 2007

TEÓLOGO CATÓLICO ACREDITA QUE OS MORTOS COMUNICAM


Num colóquio realizado em 1993 em Lisboa, foi possível ouvir a opnião do Vaticano sobre crer ou não na voz dos mortos. Um Padre francês, convidado a participar, deu o seu parecer sobre o tema.Teólogo, católico,François Bruce, conhecido pelos seus trabalhos de pesquisa em experiência de quase morte - EQM - , e transcomunicação instrumental - TCI - , comunicação com os mortos através de aparelhos electrónicos - analisou e discutiu a questão.Bruce é um interessado pesquisador dos EQM's e da TCI. Inquirido sobre as provas de que se comunicam conncosco, respondeu: "Sim, creio que há provas embora seja difícil assumir afirmações. Mas creio que há provas concludentes para nós como investigadores".Naturalmente que a perspectiva é dada mais no âmbito científico que religioso embora Bruce refira haver convicções de religiosos e não religiosos, cientistas, ou não. Tais fenômenos de transcomunicação afirmam-se agora, revelando que a vida continua depois da morte e que existe um Deus que nos ama.Bruce falou da posição da Igreja Católica sobre a comunicação com os mortos: "Não há posição oficial para estes fenômenos. É um problema para técnicos, cientistas. A eles compete saber se são autênticas ou não, ou se existem outras explicações. Conhecem-se outros casos onde não são os mortos que falam mas entidades que não viveram na Terra, ou ondas que permanecem no passado. Poderá ser projecção do subconciente, são hipóteses".Confrontando a Igreja sobre a origem, esta consideradas como originárias do "Diabo", quando se refere manifestções dos médiuns. É a posição do Vaticano nesta tese, não é? -Perguntámos. O Padre sorri antes de responder. Depois adianta: "creio que a primeira vez que um homem conseguiu captar vozes do "além", foi na universidade Católica de Milão, com o cientista Gemelli, na presença do Padre Beneditino Pelligrino Erneti. Em janeiro fui a Veneza para encontrar Erneti. E contou-me toda a história do Gemelli. O Papa Pio XII conhecia esta história e disse que não era o mesmo que espiritismo, pois aí havia sempre o perigo do erro da influência do subconsciente.Com os gravadores, disse o Papa, poderemos, talvez, ter uma ajuda e aumentar a fé na vida eterna. Não é segredo que na Itália existem sacerdotes que fazem gravações de vozes do "além", foi confirmado pelo Padre Bruce, que se apressa a esclarecer. "Não é papel da Igreja dizer que o fenômeno é autêntico ou não. Mas há em Itália sacerdotes e outros religiosos que fazem gravações de vozes e fizeram congressos sobre esse tema. Eu próprio já fui a três congressos".O Padre Bruce não rejeita a reencarnação e assumiu a afirmação de que: "creio que também é possível. Creio que nunca foi ensinada pela Igreja, mas também nunca foi condenada. Como católicos, como sacerdotes, somos livres de crer ou não crer na reencarnação. Creio que é possível, mas não sistematicamente e não para todos, somente em casos exepcionais. Continuam a investigar a comunicação com os mortos. A reencarnação não".Dos investigadores do Vaticano referiu os nomes do Padre Gimelli, já falecido. Mas, Erneti, na Abadia de São Gregório Magiolli, em Veneza e, o Padre Andreias Resch, que é presidente do Instituto Parapsicologia da Áustia e também dá aulas sobre os fenómenos paranormais na Universidade Labrão, em Roma.

quarta-feira, setembro 12, 2007

O que é o Ocultismo

Ocultismo (ou ciência oculta) é um conjunto de teorias e práticas cujo objetivo seria desvendar os segredos da natureza e do Homem, procurando descobrir seu aspecto espiritual e superior. Ele trata do que está além da esfera do conhecimento empírico, o que é secreto ou escondido. O ocultismo está relacionado aos fenômenos sobrenaturais. Ocultismo é um conjunto vasto, um corpo de doutrinas supostamente proveniente de uma tradição primordial que se encontraria na origem de todas as religiões e de todas as filosofias, mesmo as que, aparentemente, dele parecem afastar-se ou contradizê-lo.
O Homem aqui retratado seria um supostamente completo e arquetípico, composto não apenas de corpo, mas também de emoção, razão e alma (como divide a cabala).
Segundo algumas tradições ocultistas as religiões do mundo teriam sido inspiradas por uma única fonte sobrenatural. Portanto, ao estudar essa fonte chegar-se-ía a religião original.
Muitas vezes um ocultista é referenciado como um mago. Alguns acreditam que estes antigos Magos já conheciam a maior parte das descobertas da ciência, tornando estas descobertas meros achados.

Mortos querem vingança


Para a ciência espírita todos os mortos do holocausto nazi clamam por justiça e não poucas vezes descem até aos ditos médiuns de incorporação para denunciar e transmitir segredos que só eles, mortos a mando do Hitler, sabem revelar.

Em Almada mora um homem que foi oficial do Reich e a quem cabia a tarefa de entregar o “sabonete” às mulheres e crianças que ele levava, nus, até aos balneários. Era o “sabonete” da morte.
Tal tirania ficou injustiçada. Portugal acolhe tiranos e ignora-os sem punição.
Este homem mora em Almada, na parte velha da cidade e incomoda o quotidiano dos cidadãos com quem priva e o conhecem. Fugiu de Almada nos anos 40, ainda adolescente e alistou-se na Legião estrangeira. Depois “passou-se” para as tropas alemãs e ao serviço do Hitler virou tirano assassino.

“Judeus em Portugal” é um livro de Irene Pimentel, sobre a II Guerra Mundial , Hitler e o
Holocausto Nazi”. Narrativa de uma História em que Salazar intervem e por crueldade tentou abafar. Aí se referem os judeus que se refugiaram em Portugal por solidariedade de Aristides Sousa Mendes o português, cônsul, que salvou tantas vidas e a quem os esbirros de Salazar perseguiram.
Portugal, enquanto país de trânsito para milhares de judeus, é o tema abordado pela historiadora Irene Pimentel Nesta, autora deste livro.
Os primeiros passos da investigação da autora advem do contacto com cidadãos judeus, refugiados na década de 40 em Portugal. Muitos por cá ficaram.

“A partir daí nunca mais me desliguei do assunto”, refere a autora que investiga, agora, organizações femininas no Estado Novo e a actividade da PIDE-DGS, de 1945 até 1974.
Conclui então que “apesar de tudo, muitos refugiados passaram por Portugal durante o tempo da guerra, 50 e 70 mil refugiados. Ao certo o número nunca se apurará uma vez que a PVDE (Polícia de Vigilância e Defesa do Estado, (mais tarde PIDE), detentora de todos os ficheiros políticos, os destruiu.
Muitos desses refugiados partiram para Moçambique, Angola, e outras zonas de África. Registaram-se casos de perseguições e prisões pela PVDE, de entre os quais 6, alemães, judeus, polacos enviados às masmorras do Tarrafal. Mais por serem comunistas do que por serem judeus. Salazar não podia ignorar. Um deles fora denunciado à PVDE e quando foi apanhado numa rusga tinha no bolso um jornal “O Avante”, órgão oficial do Partido Comunista Português na clandestinidade, editado em papel bíblia e em formato menor do que um A5.
Os
agentes da Gestapo permaneciam em Portugal, bem como elementos dos seviços de espionagem das Forças Aliadas. Portugal era um ninho de espiões. Três dos refugiados foram raptados pela Gestapo. O judeu socialista Bertol Biakof foi raptado pelos agentes nazis em Lisboa, em pleno dia, na Rua do Ouro. Enfiaram-no num carro, levaram-no para a Alemanha e acabou por morrer num campo de concentração. Dos que ficaram em Portugal Salazar consentiu condena-los a residência fixa em Caldas da Rainha, Figueirada Foz e Ericeira. Não em campos de internamento ou concentração, como na época se supunha, mas detidos em pensões e hoteis, de onde só podiam sair com autorização da PVDE.
Irene Pimentel, autora da obra que revela segredos até agora não ditos, abriu-nos caminho para que a este espaço trouxéssemos, dentro de dias, uma narrativa de uma sessão espírita onde o médium de incorporação diz ter sido Salazar quem desceu para falar.
Fique atento às próximas páginas deste seu jornal “Mistérios do Além” onde o insólito marca presença.

Salazar por tão tirano, tinha medo que outra gente, com outros valores, com diferentes ideais sociais, políticos, religiosos, lhe ofuscassem o caminho e virassem o rumo a Portugal como mais tarde aconteceu.

LEIA DENTRO DE DIAS “SALAZAR QUER ESCREVER” RELATO ORIGINÁRIO DE UMA SESSÃO ESPÍRITA NA RUA PALMIRA, EM LISBOA, EM CASA DE UMA MÉDIUM

segunda-feira, setembro 10, 2007

»»OS SONHOS E A REENCARNAÇÃO««




Para muitas pessoas a ocorrência de uma aparente vida passada durante o sono parece ter significados importantes e implicações espirituais.Aconselha-se no entanto uma análise cuidada dos sonhos antes de tirar conclusões precipitadas.




Implicações Espirituais


Um Sonho é um Sonho, e não passa disso mesmo. Mas os seus efeitos sobre o lado espiritual da pessoa são mais fortes do que se possa pensar.Alguns elementos permanecem na mente durante vários dias. Os medos, as alegrias, a ansiedade e a desconfiança podem vir ao de cimo. Mediante uma única cena que se passa...durante o Sono! E, mais grave ainda: muita gente transforma a sua vida e as suas decisões em função dos sonhos que tem!


A Morte como transição

Os desafios do passado podem, de facto, ultrapassar as barreiras do tempo. O abuso de autoridade, o poder de sedução, os grandes dramas, a sensação de abandono continuam a ser familiares a quem os viveu, embora na transição da morte tenham abandonado o corpo anterior. Esta compreensão aumenta a possibilidade de curar traumas, de esquecer os eventos mais dolorosos. Quando se consegue estabelecer a ligação entre o passado remoto e o presente conseguem também identificar-se as fontes de influências e minimizar os seus efeitos. Assim as reacções automáticas podem ser refreadas e moderadas, tornando a pessoa mais segura e menos fatalista.


Conhecimentos Antigos

Muitas vezes é nos sonhos que se reconhecem as pessoas que foram amadas ou odiadas numa vida anterior. Quando alguém sonha com uma certa relação e a acha completamente descabida, está a recordar contactos que teve numa outra dimensão, com graus de parentesco totalmente diversos e aparentemente ridículos. Muitas vezes a personalidade que se sente nos Sonhos parece ser a antítese da presente maneira de ser. A sensação de se sentir "horrorizado (a)" com um acto cometido durante um Sonho pode ser um alerta para lhe indicar que paga Karma por este ou aquele motivo. Certas faculdades podem ser apagadas ou reacendidas, consoante as necessidades da vida actual. Abdicar de certos poderes pode dar uma projecção mais positiva às suas actividades.


Os propósitos de vida

Em certos casos, as pessoas sentem-se frustradas por não saberem cantar, dançar, pintar ou por não conseguirem desenvolver outros talentos que as fascinaram, mas para os quais parecem estar bloqueadas. Nos seus Sonhos ouvem aplausos que nunca ouviram na vida real. Esse é o eco dos sonhos vocacionais que lhes chegam de um passado do qual se desencontraram. Sentem um "chamado" para aquela actividade específica.Quando tomam consciência disso, assumem o seu talento inato como dádiva e muitas vezes acabam por chegar onde querem.

Reconhecimento de prejuízos causados

Em muitos casos as pessoas sentem-se chocadas por terem uma vaga noção de que cometeram crimes,genocídio ou actos de racismo. Aqueles que se opuseram às injustiças muitas vezes sonham que são advogados, enquanto aqueles que forma injustiçados se vêem em situações de julgamento público.Convém que vejam filmes, séries e documentários sobre a época em que se situaram. Os mecanismos de defesa podem ser accionados se houver uma maior identificação com a sociedade, os hábitos, as regras e as leis. A compreensão será mais fácil. Quem sonha pode tornar-se vítima de obsessões, complexos de culpa ou problemas de consciência. Mas, accionados os mecanismos de defesa e de entendimento, os pormenores relatados nos sonhos servirão de grande utilidade para o percurso de vida actual. Não deixe que sejam os outros a dizer-lhe se um determinado sonho é (ou não) a memória de uma vida passada. Só você pode determinar a resposta profunda a essa questão. E não deixe fugir a hipótese de investigar esses sonhos de forma a enriquecer e a melhorar a sua vida presente.


domingo, setembro 09, 2007

Documentário: A religião do Diabo



O diabo existe? Ele é realmente mau, ou essa imagem foi-lhe dado só pelos cristãos?Certos povos antigos viam no diabo o deus da fertilidade.No entanto o seu culto transformou-se em coisas perigosas, condenadas pelos inquisidores.O próprio chifre, que era considerado símbolo da potência terrestre e do brilho espiritual (Moisés e Amon possuem chifres em algumas representações) tornou-se símbolo de malignidade.




Satã não é, necessariamente, no Antigo Testamento, o espírito do mal, mas o intermediário, pelo sofrimento e pelas sanções, entre Deus e o homem. O termo designa o anjo decaído, inimigo do homem, como lemos na Sabedoria: «É pelo diabo que a morte entrou no mundo, irão experimentá-la os que são do partido do demónio» (Sabedoria,II,24;Provérbios 2,22 traduções Ferreira de Almeida).

»»Três espécies de espíritos do mal««
A Bíblia amaldiçoa os demónios, os diabos e o seu chefe em inúmeros capítulos. A exegese tentou classificá-los de forma que podem ser resumidos assim:

1)Satã, propriamente dito, Satã-Lucífer.

2)Os deuses e deusas dos povos primitivos que, tornaram-se demónios: Bal, Moloche, Astartê, Belzebu. São eles que a Inquisição vai perseguir e que os artistas da Idade Média representam como medonhos ou grotescos.

3)Os demónios «naturais», que atormentaram e perseguem os pobres humanos, envia-lhes pesadelos, obsessões e doenças. Aqui se encontrariam os elementos de uma psicanálise embrionária. Jung os descrevia, alguns séculos depois, como «sombras» da personalidade.

»»O mito de Lúcifer««
O Mito luciferiano da queda dos anjos aparece apenas no mais famoso dos apócrifos do Antigo Testamento: o Livro de Enoch. Essa visão grandiosa designa entre os anjos, os guardiões "que nunca dormem e que guardam o glorioso trono de Deus". Mas Azazel, deixaram-se seduzir pela beleza das duzentas desses guardiões, sob as ordens de filhas dos homens. Desceram ao cimo do Monte Hermon, uniram-se as mulheres, procriando gigantes que oprimiram os humanos até se devorarem uns aos outros. Os anjos culpados cometeram o pecado de revelar às suas amantes os segredos do céu e de mostrar-lhes todos os pecados e toda a injustiça. O Eterno ordena a Rafael, o arcanjo fiel, que atire Azazel para uma caverna. Depois Rafael recebe a missão de voltar para o lado da verdade, a revelação mágico-diabólica feita aos homens por Azazel. Assim, para reparar o mal causado à humanidade pelos ensinamentos da magia negra e da feitiçaria, ensina os homens a utilizarem os conhecimentos "proibidos" para chegar à verdadeira luz. Nos manuscritos descobertos em Qumrãn, às margens do Mar Morto, expressa-se a crença no anjo, ou príncipe das trevas, em oposição ao anjo da verdade. Na tradução do Prof. Dupont-Sommer da Regra esseniana encontramos: "É por causa do anjo das trevas que se enganam todos os filhos da justiça, todas as suas faltas são efeito do seu império, de acordo com os mistérios de Deus, até ao termo fixado por ele..."Quanto a Lúcifer só aparece bem mais tarde, nos textos posteriores à Diáspora. Provavelmente ele é o reflexo de infiltrações madeístas ou neoplatônicas. E só bem mais tarde se estabelece a diferença (quase oposição) entre Lúcifer, anjo decaído, mas sempre nobre; e o vulgar, grosseiro e grotesco Satã; um, tentando o homem pelo orgulho e pelo erro heresiarca; o outro, pela luxúria e pela gula.Voltemos a Lúcifer: Isaías atribui-lhe esta apóstrofe soberba: "Eu escalarei as nuvens, serei semelhante ao Eterno!" Ezequiel caracteriza-o assim: "O teu coração encheu-se de soberba e tu falaste:`Eu sou Deus e estou sentado no trono de Deus´". E é ele, o portador da luz tenebrosa, que foi julgado digno de tentar Jesus por três vezes, no Monte da Quaresma, não muito longe de Jericó. Entra assim no "Novo Testamento" e Pedro adverte-nos: "Nosso adversário, o diabo, como um leão rugindo, está a espreita, procurando o que devorar. Resisti-lhe, firmes na fé..."Depois de séculos, a teologia católica esforça-se para decifrar o enigma desse "leão rugindo". Diante de um mistério tão obscuro e complexo, várias hipóteses se defrontam, mas é verdade que existem certas "linhas de força", sobre as quais os doutores estão unanimamente de acordo. Vamos tentar decifrá-las...

»»Um anjo decaído, mas um anjo««
Em primeiro lugar, para a teologia, o diabo existe, não é um fantasma. Assim, a tentação tripla de Cristo foi-lhe proposta, não pelo seu subconsciente, mas por um ser vivo, por "alguém".Mas, sempre de acordo com a teologia, seria caír nas malhas do diabo vê-lo como um "anti-Deus" em oposição ao Deus verdadeiro. Não há absolutamente dois inimigos face a face, guerreando sem perdão, mas iguais através dos tempos. Como observa Henri Marrou, professor da Sorbonne: "Nossos contemporâneos tenderiam perigosamente para o dualismo puro e simples: haveria Deus de um lado e Satã por outro. A realidade deste parece-lhes inseparável da realidade positiva, ontológica e substancial do mal, de que ele é tanto o veículo, como o símbolo".Se não é um anti-Deus, quem é Satã ou Lúcifer?Um anjo rebelde, prevaricador e decaído.Um anjo no entanto, criado por Deus junto e entre os outros espíritos celestes e a quem nem mesmo a queda e a condenação puderam retirar a natureza angélica que define o seu ser.Para os teólogos, um outro erro moderno consiste em minimizar (senão negar) a realidade e a importância do mundo invisível das cortes angélicas e infernais que são encontradas em descrições quase idênticas em todas as tradições. Criaturas inumeráveis!...Teólogos mediavais permitiram-se temerárias especulações sobre o recenseamento dos súbditos de Satã, dos diabos e dos demónios. Para eles esses invisíveis são puro espíritos ou têm uma forma copórea, ainda que imperceptível, aos nossos sentidos? O Magister não resolveu esse problema. Permaneceu numa expectativa prudente. Segundo Vacanti: "A espiritualidade absoluta dos anjos não é dogma da fé católica". E o primeiro concílio do Vaticano não teve intenção de definir a natureza dos anjos, mas apenas a sua criação.A iconografia bizantina, ou de influência bizantina, dedica um amplo espaço à iconografia satãnica, principalmente evocando as tentações de Jesus, quando Satã não aparece chavelhado, medonho ou ridículo, mas com os traços de um belo anjo, cujos olhos reflectem uma melancolia infinita. Só se distingue dos anjos bons pelas cores da sua túnica e das suas asas e pelo seu calçado.

sexta-feira, setembro 07, 2007

Lobisomem


O SR. ZÉ MANUEL DISSE ADEUS À VIDA DEPOIS DE CONFESSAR AQUILO QUE SABIA


Zé Manuel morava nasa Terras da Costa, junto à Costa da Caparica. Falar de lobisomens é o seu forte, letrado em questões de licantropia, balbucia do alto dos seus oitenta e tal anoe que a maioria dos casos que conhece o licantropo não se transforma em lobo mas em burro - os asininohomens - e outros há que se transformam em bodes e berram e esperneiam sete noites para cumprir o seu fadário."Ser lobisomem é obra do Diabo, como há os vampiros... Quando podem matam para darem almas ao Demo".Mas como é que se tornam lobisomens?"Promessas mal pagas...(encolhe os ombros) sei lá! Mas também há os que não têm culpa. Quando alguém é mordido por um lobisomem e não morre logo fica com a doença". E há muitos?"Agora há poucos... No meu tempo havia mais, ninguém saia por essas azinhagas à noite. Podia dar-se com a besta!Mas Zé Manuel, esquivo, afirma que os asininohomens não fazem mal, "são seres menores, cumprem o fadário e pronto". Já conta ter visto mais de vinte e sabe quem eles são quando estão «disfarçados» durante o dia."Os olhos da besta não se escondem. Têm unhas duras, porque na noite do Diabo são cascos, e têm o corpo peludo. Não confies em homens com as sobrancelhas juntasw, são lobisomens, e fedem da boca porque têm as entranhas podres". Afirma que nas noites de lua cheia se transformam porque é esse o fadário, mas o lobisomem pode ser lobo sempre que quizer. Zé Manuel conta que, quando tinha dezanove anos desconfiou que andava um asininohomem a assombrar a noite pelas Terras Da Costa. "O Burro zurrava como se tivesse a ser espancado". E uma noite resolveu ir com os outros amigos, um deles caçador, dar conta do bicho. Quando o viram deram-lhe umas pauladas e ele deitou a fugir. Então um deles deu um tiro com a espingarda, acertou no bicho, mas não o matou. O animal conseguiu fugir, mesmo com um tiro na garganta.Na manhã seguinte os sinos da igreja tocavam a anunciar a morte de um lavrador desses paragens. A história que correu foi que o homem se tinha ferido mortalmente, por baixo do queixo, quando limpava a sua arma de caça.Zé Manuel queixa-se do descrédito das pessoas: "Chamam-me maluco mas eu sei o que tenho visto e não me importo. Já me chamaram tanta coisa, até lobisomem!..." E é? "Olhe, se fosse não estava para aqui a falar..." Dois dias depois, Zé Manuel despediu-se deste mundo. Ia limpo do seu segredo e nós ficámos mais sábios do seu estranho saber...